segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Confissão de Pecado Um Sermão Com Sete Textos

Confissão de Pecado Um Sermão Com Sete Textos - por: Charles Haddon Spurgeon – Adaptação Pr. Braga.

Salmo 51

O nosso tema será - CONFISSÃO DE PECADO. Nós sabemos que isto é absolutamente necessário para nossa salvação.
A menos que haja uma verdadeira e sincera confissão de nossos pecados a Deus, não acharemos nenhuma promessa de clemência no sangue do Redentor. "Todo aquele que confessar seus pecados e os abandonar achará misericórdia" . Mas não há nenhuma promessa na Bíblia para o homem que não confessar seus pecados .

Há muitos que fazem uma confissão, e uma confissão diante de Deus, e não recebem nenhuma bênção, porque a confissão não tem certas marcas que são requeridas por Deus, que provariam sua genuinidade e sinceridade e que demonstrariam terem sido fruto do trabalho do Espírito Santo.
A palavra chave é: "eu pequei". E você verá como estas palavras, nos lábios de homens diferentes, indicam sentimentos muito diferentes. Enquanto uma pessoa diz "eu pequei" e recebe perdão, outro diz o mesmo, porém segue seu caminho para se enegrecer com pecados piores que antes e mergulha em profundezas maiores de pecado do que antes ele tinha experimentado.

O Primeiro exemplo que usarei nessa mensagem é:

O homem de coração Endurecido.
Faraó: "eu pequei ". Êxodo 9:27.
O primeiro caso que eu apresentarei a vocês é o do PECADOR ENDURECIDO que, quando experimenta o terror, diz "eu pequei". E você achará o texto no livro de Êxodo 9:27 - "Então Faraó mandou chamar Moisés e Arão, e disse-lhes: Esta vez pequei; o Senhor é justo, mas eu e o meu povo somos a ímpios". Mas porque esta confissão nos lábios deste altivo tirano? Ele não se humilhava perante Jeová. Então porque aquele orgulhoso se curvou?

Você julgará o valor da sua confissão quando você ouvir as circunstâncias debaixo das quais foi feita: "E Moisés estendeu a sua vara para o céu, e o Senhor enviou trovões e saraiva, e fogo desceu à terra; e o Senhor fez chover saraiva sobre a terra do Egito. Havia, pois, saraiva misturada com fogo, saraiva tão grave qual nunca houvera em toda a terra do Egito, desde que veio a ser uma nação". Agora, diz Faraó, enquanto o trovão estava rolando no céu, enquanto o fogo então incendiava o solo e enquanto o granizo descia em grande quantidade, ele diz, "eu pequei".

Ele é somente um exemplo diante de multidões da mesma categoria. Quantos nesse momento até dentro dos templos, com seus nomes no rol de membros de muitos ministérios, cujos corações se encontram endurecidos pelo pecado, curvam seus joelhos com lágrimas nos olhos, e clamam "eu pequei!".

Mas que proveito e que valor tem a confissão deles? O arrependimento que nasceu na tempestade morreu na calmaria; aquele arrependimento criado entre trovões e raios, cessou tão logo tudo foi silenciado, e o crente, santo enquanto está dentro do templo, logo que se encontra fora dessas 4 paredes, muitas até em casa e nos seu trabalho, é um pessimo testemunho, gerando nos labios de alguns a frase tipo: “crente como esse tem muito no inferno”.

Também, com que freqüência nós vemos isto em uma tempestade com abundância de raios e trovões? Muitos homem empalidecem quando ouvem o trovão ressoando; as lágrimas enchem seus olhos, e eles clamam "Ó Deus, eu pequei!"; enquanto as vigas da sua casa são balançadas e o solo embaixo deles oscila diante da voz de Deus em Sua majestade. Mas ai de tal arrependimento! Quando o sol novamente brilha e as negras nuvens passam, a tribulação se vai, o pecado vem novamente sobre o homem e ele se torna pior que antes.

Quantas confissões do mesmo tipo, nós também vemos em tempos de doenças fatais! De pestilenças, de terror, então nossas igrejas ficam cheias de ouvintes que, por verem tantos enterros passarem por suas portas, ou porque tantos morreram na sua cidade, não podem se abster de ir à casa de Deus para confessar seus pecados.

"Senhores, vocês esqueceram os sentimentos que tiveram nas suas horas de angústia; mas, se lembrem, Deus não esqueceu dos votos que vocês fizeram". Alguem, você disse se Deus o poupasse e tivesse a sua saude de volta, seria servo; mas você não é; você mentiu a Deus, você Lhe fez uma falsa promessa, porque você nunca manteve o voto que seus lábios fizeram.

Não! o voto, por mais precipitadamente que tenha sido feito, é registrado no céu; e apesar de ser um voto que o homem não pode cumprir, contudo, como é um voto que ele próprio fez, e o fez voluntariamente também, ele será cobrado pelo não cumprimento dele; e Deus executará vingança afinal, porque ele disse que abandonaria seus caminhos de pecado, porém, quando o infortúnio é removido ele não faz isto.

O anjo vingador poderá dizer: "Ó Deus, estes homens disseram que se eles fossem poupados seriam melhores; porém são piores. Como eles violaram suas promessas, e como eles atraíram a ira divina sobre si mesmos!". Este é o primeiro estilo de arrependimento; e é um estilo que eu espero que nenhum de nós imitemos, porque é totalmente sem valor. É inútil você dizer "eu pequei" somente debaixo da influência do terror, e então esquecer disto depois.  

O segundo tipo, é possivelmente um dos mais estarrecedores:

O Homem Dúbio
BALAÃO: "eu pequei".--Nm. 22:34.
Agora vamos ao segundo texto. Apresentarei a vocês um outro caráter - O HOMEM DÚBIO, que diz "eu pequei" e sente que ele realmente o fez, e sente de maneira profunda, mas é tão mundano que ele "ama a injustiça". O caráter que eu escolhi para ilustrar isto, foi o de Balaão.

Veja o que está em Números 22:34: "Respondeu Balaão ao anjo do Senhor: eu pequei".
"Eu pequei", disse Balaão; mas, apesar disto, ele se foi com seu pecado. Um dos carateres mais estranhos do mundo inteiro é o de Balaão. Eu freqüentemente tenho me surpreendido com aquele homem;
" Para o bem e para o mal igualmente se curva,
E para ambos: o Profano e O Santo ".

E vocês acharão que aquele homem tem esperança. Espere até que ele desça da colina, e vocês lhe ouvirão dar o mais diabólico conselho ao rei de Moabe, tão diabólico que era até mesmo possível ser sugerido pelo próprio Satanás.
Disse ele ao rei: "Você não pode vencer este povo na batalha, porque Deus está com eles; tente instigá-los contra Deus".

E vocês sabem como, com luxúrias, os Moabitas tentaram seduzir os filhos de Israel a serem infiéis a Jeová; de forma que este homem parecia ter a voz de um anjo, às vezes, mas também a alma de um diabo no seu íntimo.
Ele era um caráter terrível; era um homem de duas mentes, um homem que foi por todo o caminho com duas disposições.

Eu sei que a Escritura diz "Ninguém pode servir a dois senhores". Hoje em dia isto é freqüentemente mal entendido.
Alguns lêem assim "Ninguém pode servir a dois senhores". Sim ele pode; ele pode servir três ou quatro. O jeito de ler esta passagem é "Ninguém pode servir a dois senhores". Ambos não podem ser senhores. Ele pode servir dois, mas os dois não podem ser seus senhores. Nem Balaão conseguiu esse feito.

Vejamos o proximo texto com a mesma fala, mas com um personagem diferente:

O Homem Insincero.
SAUL : "eu pequei".--1 Samuel 15:24.
E agora um terceiro caráter, e um terceiro texto. No primeiro livro de Samuel 15:24, lemos: "Então disse Saul a Samuel: "eu pequei".
Aqui está o HOMEM INSINCERO - o homem que não é como Balaão, até certo ponto sincero sobre duas coisas; mas um homem que é justamente o oposto - que não tem nenhum ponto proeminente em seu caráter, mas que é sempre modelado pelas circunstâncias que passam pela sua cabeça. Saul era assim.
Samuel o reprovou e ele disse: "eu pequei".

Mas ele não queria realmente dizer aquilo, porque se você ler o verso inteiro, vai vê-lo dizendo: "porque eu temi o povo" , o que era uma desculpa mentirosa. Saul nunca temeu ninguém; ele sempre estava bastante pronto para fazer sua própria vontade; ele era um déspota.
Um pouco depois, ele sustentou outra desculpa, ao afirmar que havia trazido bois e cordeiros para oferecer a Jeová, portanto, ambas desculpas não podiam ser verdadeiras.
A característica mais proeminente no caráter de Saul era sua falta de sinceridade.

Um dia ele manda buscar a Davi da cama dele, para o matar. Outra vez ele declara "tão certo como vive o Senhor, ele (Davi) não morrerá". Um outro dia, porque Davi salvou sua vida, ele disse "Mais justo és do que eu; não tornarei a fazer-te mal". Isso ele disse após o perseguir, com o objetivo de matá-lo.
Às vezes Saul se encontrava entre os profetas e profetizava; logo depois entre as bruxas; às vezes em um lugar, outras em outro, e insincero em tudo. Você pensa que não tem crente assim ? Não seja tão inocente.

Eu fui breve neste caráter; porque parece se relacionar com o de Balaão; entretanto, podemos ver claramente que há um real contraste entre Saul e Balaão, embora haja uma afinidade entre os dois. Balaão era um grande homem mau, grande em tudo que fez; Saul era pequeno em tudo, exceto em estatura, pequeno em bondade e pequeno em maldade; enquanto Balaão era grande em ambos: o homem que às vezes poderia desafiar Jeová, e em outro momento dizia "se Balaque me desse sua casa cheia de prata e ouro, eu não poderia ir além da palavra do Senhor meu Deus, para fazer mais ou menos".

Então vamos para o proximo individuo que tambem disse a mesma palavra:

O Pecador Duvidoso.
ACÃ: "eu pequei". - Josué 7:20.
Agora quero apresentar a você um caso muito interessante; é o caso do PENITENTE DUVIDOSO, o caso de Acã, no livro de Josué 7:20 "Respondeu Acã a Josué: Verdadeiramente pequei contra o Senhor Deus de Israel".
Você sabe que Acã roubou despojos da cidade de Jericó - que ele foi descoberto através de sorte, e levado a morte.

Cito este caso como o representante daqueles cujo caráter é questionável em seu leito de morte; aqueles que se arrependem aparentemente, mas de quem a maioria de nós só pode dizer que nós esperamos que suas almas estejam salvas afinal, mas verdadeiramente nós não podemos assegurar. Acã, foi apedrejado, por desonrar Israel.

Mas uma tradução antiga da biblia judia chamada Mishna, tem estas palavras, "Josué disse a Acã , hoje o Senhor te perturbará a ti". E uma nota sobre este texto que diz: "Ele disse este dia, o que implica que ele só seria perturbado nesta vida, sendo apedrejado até a morte, mas que Deus teria misericórdia da sua alma por ter ele feito uma confissão completa do seu pecado".  
Eu, tambem creio nessa possibilidade, de Acã realmente ter sido salvo, embora tenha sido condenado à morte pelo seu crime, como um exemplo.

Observe como Josué falou de forma compassiva com ele. Ele disse: "Filho meu, dá, peço-te, glória ao Senhor Deus de Israel, e faze confissão perante ele. Declara-me agora o que fizeste; não mo ocultes". E você encontra Acã fazendo uma confissão completa. Ele diz: "Verdadeiramente pequei contra o Senhor Deus de Israel, e eis o que fiz: quando vi entre os despojos uma boa capa babilônica, e duzentos siclos de prata, e uma cunha de ouro do peso de cinqüenta siclos, cobicei-os e tomei-os; eis que estão escondidos na terra, no meio da minha tenda, e a prata debaixo da capa". Esta confissão parece ser tão satisfatória que se me fosse permitido julgar, eu diria: "espero encontrar Acã o pecador, diante do trono de Deus". Mas alguns estudiosos, como Matthew Henry não tem a mesma opinião; eles consideram que assim como seu corpo foi destruído, assim também foi sua alma. Por este motivo, eu selecionei o caso dele como sendo o de um arrependimento duvidoso.

O modelo seguinte, talvez seja um dos mais preocupantes:

O Arrependimento de Desespero.
JUDAS: "eu pequei". - Mateus 27:4.
Não o deterei por mais tempo, mas tenho de lhe mostrar outro caso; o pior de todos. É o ARREPENDIMENTO DE DESESPERO. Examine Mt. 27:4. Lá você tem um caso terrível do arrependimento de desespero. Você reconhecerá o personagem no momento que eu ler o verso: "E Judas disse, eu pequei".  
Sim, Judas o traidor; aquele que traiu seu Mestre, quando viu que seu Mestre foi condenado, "devolveu, compungido, as trinta moedas de prata aos anciãos, dizendo:

Pequei, traindo o sangue inocente ... E tendo ele atirado para dentro do santuário as moedas de prata, retirou-se, e foi enforcar-se". Aqui está o pior tipo de arrependimento de todos; de fato, não sei se é justo chamar isto de arrependimento; isto deve ser chamado remorso de consciência. Mas Judas confessou seu pecado, e então saiu e enforcou-se.

Ó! aquela horrível, aquela terrível, aquela horrorosa confissão de desespero. Você nunca viu isto? Se você nunca viu, então agradeça a Deus pelo fato de que você nunca foi chamado para presenciar tal visão. Eu vi isto uma vez em minha vida, e peço a Deus que nunca veja de novo - o arrependimento do homem que vê a morte face a face e que diz, "eu pequei ".

Agora veja que diferença!!

O Arrependimento do Santo.
Jó: " eu pequei ". - Jó 7:20
E agora entramos na luz do dia. Caminhamos por confissões tristes e escuras; vamos para as duas boas confissões que lerei para você. A primeira é a de Jó 7:20 - "Eu pequei; que te farei, ó Preservador dos homens?”
Este é O ARREPENDIMENTO DO SANTO.

Este é o arrependimento de um homem que já é filho de Deus, um arrependimento aceitável. Davi era um espécime deste tipo de arrependimento, e seria proveitoso se estudassem cuidadosamente seus salmos de contrição; a linguagem que utiliza assim como Jó é sempre cheia de pranto de humilhação e arrependimento sincero.  

Se ele lhe mandasse embora, você seria o primeiro. Ó, se você pudesse ao menos experimentá-lO! "Ah, senhor, eu sou tão sujo, tão corrupto, tão vil ". Bem, você não pode ser mais vil que o pródigo. Venha para a casa do seu Pai, e tão certo quanto Ele é Deus, Ele manterá sua palavra: "o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora".

A Confissão Abençoada
O PRÓDIGO: " eu pequei ". - Lc. 15:18.
Agora tratarei do último exemplo; é o caso do pródigo. Em Lc. 15:18, nós encontramos o pródigo dizendo: "Pai eu pequei". Ó!, aqui está uma CONFISSÃO ABENÇOADA! Aqui está o que prova que um homem tem um caráter regenerado - " Pai, eu pequei ". Deixe-me pintar a cena. Lá está o pródigo; ele fugiu de uma boa casa e de um pai amoroso, e gastou todo seu dinheiro com prostitutas, e agora ele não tem mais nada. Ele vai para seus antigos companheiros e lhes pede ajuda. Eles riem dele com desprezo. "Ó", diz ele, " vocês beberam meu vinho muitas vezes; eu sempre paguei para vocês nas nossas festas; vocês não vão me ajudar?”

Mas eles dizem: "Vá embora!" e o expulsam dali. Ele procura todos seus amigos com quem tinha se associado, mas nenhum deles lhe dá qualquer coisa. Por fim alguém lhe diz: "Você quer um emprego? então vá e alimente meus porcos". O pobre pródigo, o filho de um rico proprietário de terras, que teve uma grande fortuna, tem que sair para alimentar porcos; e ele era judeu também! O pior emprego (na sua cabeça) para o qual ele podia ser contratado.

Veja-o lá, em trapos sujos, alimentando porcos; e qual era seu salário? Tão pouco que ele "desejava encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam; e ninguém lhe dava nada". Veja, lá está ele, no seu lamaçal e imundície equivalentes aos dos seus companheiros de chiqueiro. De repente um pensamento posto lá pelo Espírito Santo, surge em sua mente: "meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome! Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e dir-lhe-ei:

Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados". E ele volta. Ele mendiga por todo seu caminho, de cidade em cidade. Às vezes ele consegue carona em uma carruagem, talvez, mas em outros momentos ele vai na sua marcha resoluta por colinas estéreis e vales desolados, sozinho. E agora afinal ele chega à colina fora da aldeia, e vê a casa do seu pai lá embaixo.

Lá está; a velha árvore de álamo em frente dela, e lá estão as pilhas de feno nas quais ele e seu irmão corriam e brincavam; e à vista da sua velha casa todos os sentimentos e lembranças da sua vida vieram a sua mente, e lágrimas correram de seus olhos e ele quase foge novamente. Ele pensa: "será que meu pai morreu?

Como tive coragem de magoar tanto minha mãe? E se os dois estiverem vivos, eles nunca me receberão novamente; eles fecharão a porta na minha cara. O que estou fazendo? Eu não posso regressar e tenho medo de ir adiante". E enquanto ele estava decidindo, seu pai estava andando pela varanda superior, olhando para fora, para seu filho; e apesar dele não poder ver seu pai, seu pai podia vê-lo.

Agora, pródigo, faça o mesmo. Deus pôs isto em seu coração? Há muitos que têm fugido por muito tempo. Deus diz "retorne?" O apelo a nós, é que voltemos, dia a pós dia, pois tão certo quanto sempre, os que retornam Ele os acolherá. Nunca houve um pobre pecador que viesse a Cristo, que Cristo o mandasse embora.

Pr. Braga - Outubro - 2010


Jó era um santo, mas ele pecou.

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